Maria Canha

"Chegava a casa das aulas e só me apetecia chorar antes de ir trabalhar. É cansativo!"

Sempre foi vista pelos amigos e família como uma jovem responsável, reservada e bastante criativa. Maria Inês Canha é natural da ilha da Madeira. Faz parte dos milhares de estudantes portugueses que correm contra o tempo na gestão de horários e tentam conciliar o estudo ao trabalho, para que um dia "possam colher os frutos desta ansiedade".

Inês nasceu a junho de 1999, fruto de uma família monoparental. Assume que um dos seus grandes pilares são os irmãos, a quem atribui a inspiração e força diária: "todos desempenham um fator importante dentro de mim". Foi a única, dos sete filhos que, até então, ingressou num curso superior, mas reconhece a influência que a sua escolha possa vir a ter nos irmãos mais novos.

Apesar de ter crescido numa ilha, refuta qualquer associação ao meio rural, em parte, por sempre ter vivido na "zona mais citadina da Madeira", tendo-se mudado, mais tarde, para o continente.

A jovem estudante nunca teve dúvidas ou receios no que escolher como área de estudo. Terminou a licenciatura no curso de Psicologia, ainda na cidade do Funchal, no ano de 2020. Reconhece que a decisão teve grande influência nos problemas psicológicos da mãe, aos quais presenciou, de perto, toda a infância: "Sempre quis tentar perceber, de forma aprofundada, o porquê destas coisas acontecerem. Se eu passei por isto, não quero que outras crianças e adolescentes passem".

Ao longo do período escolar procurou envolver-se em atividades extracurriculares e de cariz voluntário. Jogou andebol, de forma amadora e teve um papel ativo nas edições da semana científica da ilha da Madeira. Não obstante, aponta o papel de evasão que a leitura desempenha no meio do alvoroço da vida e que a faz ter tempo só para si.

A par dos estudos, começou a trabalhar em lojas de shopping, ainda com 17 anos, para poder sustentar os gastos e ajudar nas despesas em casa. Atualmente, com 24, firma na gestão de trabalho e estudo, mas admite a ansiedade e grande manejo necessário: "por vezes o cansaço sobrepõe-se e torna-se tudo muito complicado".

Quando ingressou no mestrado de Psicologia da Educação, no ano de 2021, sentia-se desmotivada e rapidamente percebeu a vontade e desejo de uma mudança, que lhe pudessem ofertar experiências, fora da ilha. Caiu de paraquedas na cidade de Braga, onde, hoje, anseia pelo prazo de entrega da tese de mestrado, um dos entraves na vida académica de grande parte dos estudantes. 

Manuel Patela

18/05/2024  

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